sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

O poder das palavras que saem da nossa boca

O poder das palavras que saem da nossa boca

Todo mundo já ouviu dizer que as palavras têm poder. Mas têm mesmo? Qual o poder das palavras realmente? De onde vem a ideia que palavras são tão importantes assim?
Apesar de muitas pessoas falarem sobre isso de forma natural, esse conceito tem base bíblica. Ou seja, pensar no que certas palavras podem causar não é apenas misticismo, coisa de gente positiva ou uma crendice. De fato, palavras faladas pro bem ou pro mal podem construir ou destruir totalmente pessoas e situações.
Veja só o que o livro de Provérbios diz:
“A morte e a vida estão no poder da língua;  o que bem a utiliza come do seu fruto.”Provérbios 18:21
Muito sério isso, não é mesmo?! A própria Bíblia, que é a Palavra de Deus, nos alerta que comeremos os frutos (viveremos as consequências) do que falamos com os nossos lábios. E isso não vale apenas para nós, mas para pessoas que ouvem e recebem o que falamos.
Vamos entender, então, quem deu este poder às palavras? Por que elas podem ser tão construtoras ou destruidoras?

Desde a criação o mundo, o poder das palavras é notório

Deus poderia ter criado o mundo de muitas formas. Sendo Deus, Ele poderia simplesmente ter imaginado ou “estalado os dedos”, igual vemos nos filmes, mas não. Ele fez questão de verbalizar o que Ele estava criando e, assim, deixar registrado em Sua Palavra que as coisas obedecem a uma ordem audível. Deus fala:
“Pela fé – ao crermos em Deus – sabemos que o mundo e as estrelas, de fato, todas as coisas foram feitas mediante uma ordem (palavra) de Deus; e que foram feitos do nada.”Hebreus 11:3 – Bíblia Viva 
“…assim é a minha palavra. Quando Eu falo, ela sempre produz o fruto que desejo, sempre traz o resultado  que determinei.”Isaías 55:11 – Bíblia Viva
Deus expressou através da Sua fala o que estava dentro dEle – a Sua vida – e fez com que as coisas se materializassem neste mundo.
A Bíblia diz que nós, seres humanos, fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26), tendo a mesma natureza que Ele. Somos formados por espírito, alma e corpo. Ele nos deu uma voz para ser a expressão daquilo que cremos. Por isso, o que falamos também produz vida ou morte.
É claro que não somos deuses e não temos a capacidade de criar coisas na natureza, mas vivemos numa atmosfera espiritual, onde tudo que falamos produz algo, já que somos cercados por uma nuvem de testemunhas.
“Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé.” Hebreus 12:1-2

Pensamentos e crenças resultam em palavras

Somos capazes de produzir com palavras, principalmente, porque somos semelhantes a Deus, como você acabou de ler, mas também porque falamos aquilo que cremos.
Uma frase “pesada” pode até parecer uma fala aparentemente inocente, sem muita pretensão, mas, quando algo ruim chega no ponto ser dito, significa que aquilo estava dentro de nós.
Às vezes, conseguimos controlar o impulso de falar algo não tão agradável na frente de pessoas que não queremos decepcionar, mas, em algum momento, aquilo que pensamos e cremos vai “escapulir”.
Quando existe o hábito de falarmos agressivamente, com ódio ou desejo de vingança, pode ter certeza que elas não são meras palavras; são sim a expressão de algo que pensamos e acreditamos.
Isso acontece porque é impossível desassociar a fala dos pensamentos e da crença.
Funciona assim:

Pensamos >> Cremos >> Expressamos em palavras e atitudes

O problema é que nem sempre temos uma consciência muito apurada do que pensamos e cremos. No entanto, se prestarmos atenção às nossas palavras, elas serão um ótimo termômetro para avaliarmos no que andamos pensando e que tipo de crença estamos alimentando.  

Como podemos usar o poder das palavras em nosso favor?

Em primeiro lugar, é preciso criar o hábito de prestar atenção ao que falamos. Se esta consciência sobre o poder das palavras estiver em alta na nossa vida, temos condições de corrigir as declarações erradas que temos feito. Melhor ainda: podemos usar os nossos lábios como instrumento de vida!
Mas, mesmo com as “antenas ligadas” e com um diagnóstico bem definido, não vai adiantar treinar boas confissões se o nosso interior não for tratado corretamente.
Como resolver, então? Encha-se de Deus e da Sua Palavra! Essa é a garantia que você alimentará os melhores pensamentos e que fortalecerá a sua fé em Deus.
Você se lembra do esquema? Pensamos > Cremos > Expressamos em palavras e atitudes.
Na prática, você precisa ter comunhão constante com Deus para que os pensamentos carnais, que ainda estão dentro de você e são inspirados pelo inimigo, deem lugar aos pensamentos de Deus que estão em Sua Palavra.
É uma questão de espaço e de escolha, entende? A sua mente pode dar espaço para os pensamentos naturais (os da sua carne) ou para os espirituais.
Como pensar de modo correto, então?
  • Lendo a sua Bíblia diariamenteNão precisa ser um trecho grande, mas, antes de ler, peça ao Espírito Santo para falar com você. Isso se chama revelação. A revelação da Palavra de Deus acontece quando o que lemos ganha vida e vai de encontro a algo que você precisava ouvir naquele momento. Comece pelo Novo Testamento, se você ainda não tem prática de ler a Bíblia.
  • Fale com Deus. Lembre-se que Ele está em você, através do Espírito Santo, e quer ter um relacionamento contigo. É muito saudável que você separe um tempo por dia para orar, mas você pode conversar com Deus o dia inteiro, em qualquer lugar. 
  • Não deixe de congregar e de estar em comunhão com pessoas da mesma fé que você. É muito importante você fazer parte de um corpo e não viver isolado.
  • Ouça mensagens edificantes duarante a sua semana, leia bons livros cristãosouça músicas de Deus.
  • Treine a sua fala. Policie-se mesmo! Na hora de falar algo negativo, algo relacionado ao fracasso ou fazer uma reclamação, afirme pela fé o que a Palavra de Deus diz! Fale das Suas promessas e da Sua fidelidade!
Quanto mais você encher a sua mente da Palavra de Deus e estiver em sintonia com Ele, mais você terá facilidade de expressar coisas boas em palavras e também em atitudes.
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Decida hoje plantar boas sementes com os seus lábios

As palavras que você diz hoje são sementes que estão criando o seu futuro. Se você disser com fé, em concordância com a Palavra de Deus, você será exatamente aquilo que tem dito a seu respeito. Além disso, as coisas e pessoas ao seu redor também obedecerão este princípio.
Principalmente, se você é pai ou mãe, deve ter muito cuidado com o que fala sobre ou para os seus filhos! É uma grande irresponsabilidade plantar sementes de inferioridade, descrédito, agressividade, mentira ou outras coisas do tipo na vida de seres humanos que estão em formação.
Mateus 12:37, na Bíblia Viva, diz assim: “…as suas palavras agora refletem o seu destino depois…”.
As palavras expressam o que cremos. Deus sempre segue a lógica da parceria: crer + confessar = sobrenatural!
Hoje mesmo, você pode começar a usar melhor as suas palavras! O resultado serão frutos maravilhosos que você colherá mais adiante!
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

A Cura da Mulher do Fluxo de Sangue

A Cura da Mulher do Fluxo de Sangue

A mulher do fluxo de sangue foi a pessoa que tocou na orla das vestes de Jesus. Ela pensou que poderia ser curada sem que Jesus a percebesse. A história da cura da mulher do fluxo de sangue está registrada nos três Evangelhos Sinóticos (Mateus 9:20-22; Marcos 5:25-34; Lucas 8:43-48).
É interessante notar que o milagre sobre a mulher do fluxo de sangue ocorreu quando Jesus estava indo realizar outro milagre. Ele estava a caminho da casa de Jairo, cuja filha até então estava em estado terminal, quando essa mulher tocou suas vestes. Saiba mais sobre como foi a ressurreição da filha de Jairo.

Quem era a mulher do fluxo de sangue?

A Bíblia não registra o nome da mulher que tinha o fluxo de sangue. Tudo o que se sabe é que provavelmente ela era uma moradora da cidade de Cafarnaum. Antes de se encontrar com Jesus, ela já havia sofrido por doze anos de uma hemorragia.
Alguns estudiosos entendem que o fluxo sanguíneo daquela mulher era constante; já outros entendem que a hemorragia não era necessariamente constante, mas certamente era frequente. Então periodicamente ela sofria com a perda excessiva de sangue.
Seja como for, aquela hemorragia lhe deixava debilitava fisicamente. Além disso, o fluxo de sangue também a tornava impura segundo a Lei Mosaica (Levítico 15:19). Dessa forma, aquela mulher enfrentava uma série de privações religiosas e sociais.
Ela jamais poderia ir ao Templo em Jerusalém. Tudo o que ela tocava também era visto como imundo. Diante da Lei Levítica, a cama em que ela dormia, a cadeira que ela se sentava, as coisas que ela usava e as roupas que ela vestia eram todas imundas. Qualquer um que a tocasse era considerado imundo.
A Bíblia também diz que a mulher do fluxo de sangue havia procurado ajuda de todas as formas. Ela gastou tudo o que tinha com os médicos de sua época. Mas nenhum tratamento médico resolveu seu problema e sua saúde piorava cada vez mais ao longo dos doze anos (Marcos 5:25,26). Tudo isso indica a situação desesperadora daquela mulher. Nos últimos doze anos ela havia vivido na solidão, acompanhada da vergonha.

Como a mulher do fluxo de sangue foi curada?

Jesus estava seguindo por um caminho em Cafarnaum cercado por uma grande multidão. Ele já havia curado muitas pessoas naquela região, então era natural que as pessoas o acompanhassem ali. A multidão era tão grande que acabava dificultando sua caminhada. Eram muitos esbarrões e Jesus caminhava apertado e com dificuldade.
A mulher do fluxo de sangue viu em Jesus a oportunidade única de sua vida. Ela creu que se ao menos tocasse em suas vestes sua hemorragia seria estancada. Então ela veio por de trás da multidão e tocou na orla do vestido de Jesus e imediatamente foi curada (Marcos 5:29).
Mas a mulher do fluxo de sangue achou que poderia tocar em Jesus silenciosamente, ser curada e permanecer anônima. Por causa de sua condição, naturalmente ela não desejava se expor publicamente. Tão logo que tocou na orla das vestes de Jesus, a mulher entendeu que havia sido curada. Talvez por um instante ela provavelmente concluiu que Jesus nunca haveria de percebê-la.
Mas a mulher do fluxo de sangue estava enganada. Jesus sentiu que alguém havia lhe tocado de forma diferente. Por isso Ele perguntou: “Quem tocou nas minhas vestes?” (Marcos 5:30). Os discípulos acharam que a pergunta de Jesus não fazia sentido. Muitas pessoas estavam tocando o Mestre naquela multidão. Mas Jesus sabia que alguém lhe havia tocado não apenas com as mãos, mas principalmente com a fé.
Aqui vale dizer que, como homem, Jesus de fato não sabia quem lhe tinha tocado. Mas como Deus, Ele sabia que em resposta a um toque de fé, poder curador havia saído dele. Saiba mais sobre a natureza divina de Jesus.

A confissão da mulher que tinha um fluxo de sangue

Então a mulher que havia sofrido com o fluxo de sangue escutou a pergunta de Jesus e percebeu que Ele a procurava no meio da multidão. Ela entendeu que não poderia se esconder. Sua fé oculta seria revelada.
A Bíblia diz que naquele momento a mulher se aproximou de Jesus temendo e tremendo e lhe declarou toda a verdade. Aqui é preciso entender que aquela era uma situação embaraçosa para aquela mulher. De acordo com a cultura de sua época, era inapropriado que ela ficasse em evidência pública. Além disso, ela sabia que sua doença a tornava impura e ela não podia tocar em alguém.
Então ela não sabia exatamente se Jesus iria repreendê-la por causa do que havia sido feito. Mas mesmo assim ela se prostrou diante de Jesus e lhe contou tudo. Provavelmente foi nessa hora que ela explicou o sofrimento que havia enfrentado por doze anos. Mas ao invés de repreendê-la, Jesus a confortou de forma amorosa. Ele disse: “Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz, e fica livre do teu mal” (Marcos 5:34).
Com essas palavras Jesus não apenas garantiu que a saúde da mulher do fluxo de sangue havia sido restaurada, mas também restaurou sua vida social e religiosa. Agora aquela mulher poderia finalmente ir em paz.
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Lições da história da mulher do fluxo de sangue

A história da mulher do fluxo de sangue certamente tem muito a nos ensinar. Em primeiro lugar, aprendemos que Jesus é a esperança para os desesperançados. Aquela mulher tinha esgotado todos os seus recursos. Humanamente falando, não havia mais nada que pudesse ser feito a seu favor.
Ela estava presa numa solidão terrível. Ela não tinha paz e era refém da agonia. Aos olhos de todos, a mulher do fluxo de sangue era imunda e não havia esperança de que ela deixasse aquela posição amaldiçoada. Mas aos olhos Jesus, a mulher desprezada que sofria com um fluxo de sangue era tão próxima quanto uma filha.
Em segundo lugar, a história da mulher do fluxo de sangue nos ensina sobre a supremacia da santidade de Cristo. Pela lógica humana, quando algo impuro tem contato com algo limpo, o impuro contamina o que é puro. Um copo de água poluída torna sujo todo um tanque de água potável. Assim, se uma pessoa considerada limpa tivesse contado com algo imundo, ela também seria considerada impura.
Mas com Jesus é diferente. Sua pureza é sem igual! Ele próprio é a fonte da genuína santidade. Quando a mulher do fluxo de sangue lhe tocou Ele não ficou impuro, ao contrário, foi ela quem ficou pura. Por isso mesmo somente Ele pode transformar pecadores impuros e imperfeitos em filhos santificados de Deus dando-lhes vestes brancas como a neve (Apocalipse 3:5; 7:13,14).
Em terceiro lugar, a história da mulher do fluxo de sangue nos ensina que a fé é um instrumento para a manifestação do poder de Deus. Através da fé, Cristo a curou física e espiritualmente. Seu corpo e sua alma tinham sido restaurados. Por isso Ele disse: “A tua fé de salvou”.
Mas isso não significa que essa fé era fruto da própria capacidade pessoal daquela mulher. Muito pelo contrário, o próprio Jesus era a causa dessa fé! Sem Ele a mulher do fluxo de sangue jamais teria possuído e exercitado tamanha fé (cf. Efésios 2:8; Hebreus 12:2). Saiba mais sobre o significado da fé.
Além disso, ao enfatizar a fé como o instrumento desse milagre, Jesus automaticamente tratou de acabar com qualquer tipo de superstição de que sua peça de roupa teria contribuído para a cura da mulher do fluxo de sangue. Definitivamente quem cura e restaura é Jesus em resposta à fé, e não um tecido ou qualquer objeto supostamente místico ou sagrado.
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O Que Significa Dizer Que Deus é Espírito e Invisível?

O Que Significa Dizer Que Deus é Espírito e Invisível?

Quando a Bíblia diz que Deus é espírito, isso significa que Deus não possui corpo físico e que Ele não é igual a qualquer uma de Suas criaturas. Ele não é constituído de qualquer tipo de matéria presente na criação, e não está limitado a um local no espaço.
A espiritualidade é um dos atributos de Deus, um daqueles atributos que descrevem o Seu ser. Mas obviamente esse assunto está além da nossa capacidade intelectual, de modo que não podemos compreendê-lo plenamente. Falar da espiritualidade de Deus é falar de como Deus é; de que como o Seu ser é formado. Por isso a Bíblia afirma que Deus é espírito, mas não explica de forma exaustiva o que isso significa.
Sabemos, contudo, que dizer que Deus é espírito não quer dizer que Ele é meramente energia, uma força ou puro pensando. Deus é um ser pessoal, autoconsciente e autodeterminante, e que possui qualidades muito bem definidas. Louis Berkhof diz que o fato de Deus ser espírito indica que Ele tem um ser substancial exclusivamente Seu e distinto do mundo; e que este ser substancial é imaterial, invisível, e sem composição nem extensão (Teologia Sistemática, pág. 58).
Então dizer que Deus é espírito implica em afirmar simplesmente que Sua forma de existência é infinitamente superior a tudo o que conhecemos e que está relacionado ao mundo material. Além disso, o fato de Deus ser espírito significa que não devemos pensar n’Ele como possuindo tamanhos ou dimensões – ainda que essas dimensões sejam infinitas.
Como explica Wayne Grudem, a espiritualidade de Deus significa que Ele existe como um ser que não é feito de matéria alguma; que não possui partes ou dimensões; que é incapaz de ser percebido por nossos sentidos físicos, e é mais excelente que qualquer outra espécie de existência (Manual de Teologia Sistemática, pág. 90).

Como a Bíblia afirma que Deus é espírito?

O segundo mandamento dado por Deus ao Seu povo proíbe claramente a adoração a qualquer imagem que represente o que há no céu ou na terra (Êxodo 20:4). Portanto, isso já é uma advertência de que Deus é diferente de tudo o que existe no Reino da Criação, e que não há nada material que possa descrevê-lo.
Grudem afirma que pensar no ser de Deus em termos de qualquer outra coisa no universo criado é falsificá-lo, limitá-lo, é pensar nele como algo menor do que Ele realmente é. Embora a Criação reflita características do caráter de Deus – por exemplo: o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:27) –, tentar descrever Deus existindo de uma forma ou modo de ser que seja semelhante a qualquer coisa na Criação, é pensar n’Ele de modo terrivelmente ilusório e desonroso.
Também é importante entender, conforme observa Millard Erickson, que a doutrina da espiritualidade de Deus faz oposição à prática da idolatria e ao culto à natureza. Sendo espírito, Deus não pode ser representado por nenhum objeto ou figura física. Além disso, o fato de Ele não se limitar a um espaço geográfico também combate a ideia de que Deus pode ser contido ou controla por alguém (Teologia Sistemática, pág. 108).
Quando Jesus foi questionado pela mulher samaritana a respeito do lugar onde as pessoas deveriam adorar a Deus, o Senhor Jesus respondeu a ela que os verdadeiros adoradores haveriam de adorar o Pai em espírito e em verdade“porque Deus é espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:19-24).
Durante seu sermão em Atenas, o apóstolo Paulo falou de forma implícita acerca da espiritualidade de Deus ao afirmar que “o Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo Ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas” (Atos 17:24).
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Deus é espírito e invisível

A espiritualidade de Deus também está diretamente relacionada à Sua invisibilidade. Na Bíblia lemos: “Ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus seja honra e glória para todo o sempre. Amém” (1 Timóteo 1:17). O mesmo apóstolo ainda fala de Deus como sendo “o único que é imortal e habita em luz inacessível; a quem ninguém viu nem pode ver” (1 Timóteo 6:16). O próprio Senhor Jesus diz: “Ninguém viu o Pai, a não ser Aquele que vem de Deus; somente Ele viu ao Pai” (João 6:46).
Sendo espírito, invisível e infinitamente superior à nossa forma de existência, a essência total do ser de Deus não pode ser vista por nós. Apesar disso, muitas passagens bíblicas descrevem Deus como que possuindo aspectos físicos, tais como olhos, boca, mãos e pés. Isso, claro, não se trata de uma contradição bíblica, mas simplesmente do uso de uma linguagem antropomórfica que procura expressar a verdade de Deus de uma forma mais inteligível pelo uso de analogias humanas.
Além do mais, o Deus que é espírito e invisível falou ao seu povo muitas vezes de forma visível através de manifestações temporárias externas – as teofanias ocorridas nos tempos do Antigo Testamento (Gênesis 18:1-33; 32:28-20; Êxodo 13:21,22; Juízes 13:21,22 etc.).
Mas todas as manifestações exteriores visíveis do Deus invisível apontavam para a manifestação suprema de Deus na pessoa de Cristo. A Bíblia diz que “ninguém jamais viu a Deus, mas o Filho Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido” (João 1:18). Jesus Cristo é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do Seu ser (Hebreus 1:3). Ele é a imagem do Deus invisível (Colossenses 1:15). Por isso verdadeiramente Ele pôde dizer: Quem vê a mim vê o Pai (João 14:9).
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A História do Apóstolo Pedro

A História do Apóstolo Pedro

O apóstolo Pedro foi um dos primeiros discípulos escolhidos por Jesus. Pedro também é chamado na Bíblia de Cefas, Simeão e Simão. Neste estudo bíblico conheceremos mais sobre a história de Pedro, apóstolo do Senhor Jesus.

A História de Pedro

O apóstolo Pedro era natural de Betsaida, na época uma aldeia de pescadores não muito distante de Cafarnaum e que ficava na região costeira do mar da Galiléia (João 1:44). Pedro também tinha casa em Cafarnaum, na Galiléia (Marcos 1:21s). Alguns sugerem que sua residência realmente fosse em Cafarnaum, e Betsaida apenas sua aldeia de origem.
O apóstolo Pedro era irmão do apóstolo André, um pescador de profissão assim como ele. É bem provável que seu pai, Jonas, também fosse um pescador (João 1:42). O apóstolo Pedro era casado, tendo sido sua sogra curada por Jesus (Marcos 1:30). Além disso, é possível que sua esposa frequentemente o acompanhasse em viagens ministeriais na Igreja Primitiva (1 Coríntios 9:5).
Pedro possuía uma educação considerada limitada e falava o aramaico com forte sotaque da região da Galiléia (Mateus 26:73; Marcos 14:70); idioma que também utilizava para ler e escrever. No entanto, Pedro também falava um pouco de grego, muito provavelmente por conta de sua profissão que exigia constante contato com gentios. O grego era muito utilizado na época, sobretudo nas cidades de Decápolis.

Pedro, Cefas, Simão e Simeão

Como já foi dito, o apóstolo Pedro é chamado por outros nomes na narrativa bíblica. Possivelmente seu nome original era o hebraico Simeão, utilizado originalmente em alguns textos de Atos 15:14 e 2 Pedro 1:1; e talvez ele tenha adotado o grego “Simão” com pronuncia semelhante.
Quando ele se encontrou com Jesus, o Senhor o chamou de Cefas, do aramaico Kefa’, que significa “rocha” ou “pedra”, que em sua forma grega é Petros, ou seja, Pedro (João 1:42). O significado desse título se refere ao fato de que Pedro se tornaria firme como uma rocha, ao invés de uma pessoa com temperamento inconstante.
Assim, a narrativa do Novo Testamento designa o apóstolo Pedro por essa variedade de nomes. O apóstolo Paulo o chamava de Cefas (1 Coríntios 1:12; 15:5; Gálatas 2:9); o apóstolo João geralmente o chamava de Simão Pedro; e Marcos o chamou de Simão até o capítulo 3 de seu livro e depois passou a designá-lo como Pedro.

A personalidade do apóstolo Pedro

Considerando todas as referências sobre o apóstolo Pedro disponíveis não apenas nos quatro Evangelhos, mas em todo Novo Testamento, os estudiosos entendem que ele foi um típico homem do campo, uma pessoa simples, direta e também impulsiva.
Parece que ele também possuía uma aptidão natural para exercer liderança, talvez por ser caloroso, vigoroso e normalmente comunicativo. Em algumas ocasiões, sobretudo no episódio que envolveu a traição de Jesus no Getsêmani, Pedro se mostrou emotivo, sanguíneo e autoconfiante.

A escolha do apóstolo Pedro como discípulo de Jesus

O Evangelho de João relata um primeiro contato entre Jesus e Pedro, por intermédio de seu irmão, o apóstolo André (João 1:41). Esse contato ocorreu antes do início do ministério público do Senhor na Galiléia. Depois disto, Pedro e André continuaram com a pescaria durante um período de tempo, até que receberam um convite consequente de Jesus enquanto estavam pescando no mar da Galiléia (Marcos 1:16s).
Mais tarde Jesus escolheu doze homens entre aqueles que o seguiam para serem seus discípulos mais próximos. Assim, o apóstolo Pedro foi um dos primeiros discípulos a ser chamado, e também era um dos três que sempre estavam mais próximos do Senhor (Marcos 5:37; 9:2; 14:33). Nas listas que trazem a relação dos doze discípulos de Jesus, o nome do apóstolo Pedro sempre aparece primeiro (Marcos 3:16-19; Lucas 6:14-16; Mateus 10:2-4; Atos 1:13,14).

O apóstolo Pedro durante o ministério de Jesus

O apóstolo Pedro teve uma participação muito ativa e significante durante o ministério de Jesus. Como já foi dito, ele foi um dos primeiros discípulos a ser chamado, estava entre os três mais próximos de Jesus, e em muitas ocasiões agiu como porta-voz dos Doze (Mateus 15:15; 18:21; Marcos 1:36s; 8:29; 9:5; 10:28; 11:21; 14:29; Lucas 12:41).
Pedro foi o discípulo que pediu para encontrar Jesus andando sobre as águas (Mateus 14:28). Foi ele também, juntamente com Tiago e João, que estiveram com Jesus no episódio da transfiguração (Mateus 17:1-8).
O apóstolo Pedro também foi o discípulo que, precipitadamente, tentou repreender Jesus diante do anúncio de sua morte iminente no Calvário (Mateus 16:22).
Quando Jesus perguntou aos seus discípulos quem eles achavam que Ele era, o apóstolo Pedro foi o primeiro a responder confessando que Ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16:16). O próprio Jesus atribuiu a resposta de Pedro como uma revelação de Deus que foi dada a ele.
Nessa mesma ocasião Jesus pronunciou a famosa frase “tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18). Essa frase é alvo de intensos debates, deste muito tempo.
Pelo jogo de palavras que envolve o significado do nome “Pedro”, surgiram muitas interpretações. Duas delas são as mais antigas e conhecidas: alguns sugerem que a “pedra” seria o próprio Pedro; enquanto outros defendem que a “pedra” seria diretamente a verdade que foi declarada por Pedro, isto é, o Cristo, o Filho do Deus vivo.
O apóstolo Pedro ouviu diretamente de Jesus a ordem “apascenta minhas ovelhas” (João 21:17). Numa determinada ocasião, Pedro questionou Jesus sobre a situação dele e dos demais que haviam deixado tudo o que tinham para segui-lo, e ouviu do Senhor a promessa das bênçãos do reino de Deus (Marcos 10:28; Lucas 18:28).
O apóstolo Pedro também aparece de forma bastante ativa durante a narrativa dos últimos momentos do Senhor Jesus antes da crucificação. Juntamente com o apóstolo João, Pedro recebeu a incumbência de organizar a última ceia em Jerusalém (Lucas 12:8).
Inicialmente ele também se recusou a deixar que Jesus lhe lavasse os pés, mas quando foi advertido sobre a importância e a necessidade daquele ato do Senhor, ele pediu até mesmo um banho (João 13).
O apóstolo Pedro também foi o discípulo que, conforme Jesus havia dito, o negou três vezes antes que o galo cantasse duas vezes na ocasião que envolve a prisão e crucificação do Senhor. Na verdade essa sua negação contrasta diretamente com o comportamento valente e violento que ele demonstrou ao cortar a orelha de Malco, servo do sumo sacerdote, durante a prisão do Senhor. Diante do olhar de Jesus, ao lembrar-se das palavras do Mestre, Pedro se arrependeu profundamente (Mateus 26:34-75; Marcos 14:30-72; Lucas 22:34-62; João 18:27).
É possível que o apóstolo Pedro tenha testemunhado a crucificação, apesar dos Evangelhos não o mencionarem (cf. 1 Pedro 5:1). Cristo ressurreto apareceu pessoalmente ao apóstolo Pedro (Lucas 24:33,34; 1 Coríntios 15:5).
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O ministério do apóstolo Pedro na Igreja Primitiva

O apóstolo Pedro foi o primeiro a pregar o Evangelho no dia de Pentecostes. Cerca de 3 mil pessoas se converteram naquela ocasião (Atos 2:14). Até o capítulo 13 do livro de Atos dos Apóstolos, Pedro aparece com bastante destaque. Durante os primeiros anos ele foi o líder da igreja em Jerusalém, mas vale lembrar que o apóstolo Tiago, por sua vez, foi quem liderou o Concílio de Jerusalém onde importantes decisões foram tomadas concernentes à participação dos gentios na Igreja (Atos 15:1-21).
Pedro foi quem fez a exposição da necessidade da escolha de outro homem para o lugar deixado por Judas e Matias foi o escolhido (Atos 1). Durante o ministério do apóstolo Pedro ocorreram grandes milagres, sendo que até mesmo os doentes eram colocados de uma forma com que, ao passar, sua sombra os cobrissem (Atos 3:1-10; 5:12-16).
Foi o apóstolo Pedro quem disse as conhecidas palavras: “Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda” (Atos 3:6). Dentre esses milagres também se destaca a ressurreição de Dorcas (Atos 9:36-41). Saiba mais sobre os milagres no período apostólico da Igreja Primitiva.
O apóstolo Pedro também foi quem disciplinou os perversos e mentirosos Ananias e Safira (Atos 5:1-11). Por conta do pecado que praticaram, ambos foram mortos de forma sobrenatural.
Na época da forte perseguição em Jerusalém após a morte de Estêvãoo apóstolo Pedro também estendeu sua atuação ministerial a outros lugares, como em Samaria em decorrência da grande evangelização de Filipe ali, nas cidades costeiras de Lidia, Jope e Sarona. É possível que nesse período Tiago então tenha assumido a liderança em Jerusalém.
O apóstolo Pedro também foi o responsável por anunciar as boas novas à família de Cornélio em Cesaréia (Atos 10:1-45). Na Carta aos Gálatas, o apóstolo Paulo informa que Pedro também esteve em Antioquia (Gálatas 2:11). Na verdade é nesse relato que encontramos a referência sobre o conflito entre os apóstolos Paulo e Pedro, quando Pedro agiu dissimuladamente se associando aos cristãos gentios e depois se afastando deles ao temer a pressão do “grupo da circuncisão” que aceitava os gentios na Igreja desde que estes se submetessem ao cerimonial da Lei de Moisés.
O comportamento do apóstolo Pedro acabou influenciando até mesmo Barnabé. Então Paulo o repreendeu publicamente pelo comportamento, considerado por ele, como hipocrisia. No entanto, essa situação foi completamente resolvida, e o próprio apóstolo Pedro mais tarde se referiu a Paulo como “nosso amado irmão” (2 Pedro 3:15).
Na Epístola aos Coríntios, também somos informados da divisão que havia em tal igreja. Um dos grupos divididos ali alegava seguir o apóstolo Pedro, enquanto outros diziam ser de Paulo, Apolo e Cristo. Isso indica que provavelmente em algum momento ele esteve pessoalmente visitando aquela igreja.

A morte do apóstolo Pedro e o final de seu ministério

Após 50 d.C. não temos tantas informações detalhadas sobre o apóstolo Pedro. Considerando suas duas epístolas, sabemos que ele permaneceu ativo na pregação da Palavra de Deus e no pastoreio do rebanho do Senhor até a hora de sua morte (1 Pedro 5:1,2).
Existe um grande debate se o apóstolo Pedro chegou a fixar residência em Roma ou não. O que é certo é que a igreja em Roma não foi fundada por ele; até porque seria muito improvável que Paulo escrevesse uma epístola àqueles irmãos sem mencioná-lo.
Na verdade não há qualquer base bíblica de que ele tenha sido o primeiro bispo de Roma; nem há indícios de que ele tenha sido líder da igreja na cidade por um período de tempo considerável. A tradição que afirma tal coisa é bastante questionável. Saiba mais sobre a igreja em Roma no panorama da Carta aos Romanos.
Apesar disto, é muito provável que ele tenha estado em Roma em algum momento próximo ao final de sua vida, e que tenha escrito suas duas epístolas desta cidade. Em 1 Pedro 5:13 o apóstolo escreve dizendo estar na “Babilônia”. Essa informação têm sido entendida pela maioria dos estudiosos como uma referência à cidade de Roma. A presença de Marcos na ocasião também favorece essa interpretação.
Existe uma tradição muito antiga e uniforme dentro do cristianismo de que o apóstolo Pedro tenha sido martirizado em Roma por volta de 68 d.C., assim como foi Paulo. Tertualiano (200 d.C.) defendeu tal informação, e Orígenes afirmou que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, uma informação também presente em alguns livros apócrifos.
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